Já está disponível para download o relatório final da pesquisa Perfil do Jornalista Brasileiro 2021. Os resultados da pesquisa são baseados em 7.029 respostas, a partir das quais – após etapa de saneamento – foram consideradas 6.650, sendo 6.594 vindas de todas as unidades da federação e 56 de jornalistas que atuam no exterior. A pesquisa possui margem de erro inferior a 2%, em intervalo de confiança de 95%.

 

Acesse o relatório aqui.

 

“Essa é uma grande contribuição ao campo de pesquisa em jornalismo no país, que permite, além de atualizar dados referentes às características demográficas, políticas e de trabalho desses profissionais, constatar transformações ocorridas no perfil de profissionais do jornalismo, comparando os novos achados com o estudo pioneiro, realizado há 10 anos, em 2012”, ressalta o coordenador geral da pesquisa, professor Samuel Pantoja Lima (UFSC).

 

Os dados do estudo indicam que jornalistas no Brasil ainda são majoritariamente mulheres (58%), brancas (68,4%), solteiras (53%), com até 40 anos, perfil que mudou pouco em relação ao levantamento realizado em 2012. Ainda assim, é importante ressaltar que essa participação feminina reduziu em seis pontos em comparação ao estudo de 2012 (64%).

 

“Outro aspecto importante que podemos destacar é em relação à renda. O jornalismo brasileiro paga pouco a profissionais de formação elevada. Para se ter uma ideia, a renda mensal de 60% dos entrevistados é inferior a R$ 5,5 mil por mês e apenas 12% recebem acima de R$ 11 mil”, aponta Lima, destacando ainda que: “Esse dado acaba contrastando com a escolaridade identificada: 42,3% têm ensino superior completo, com especialização tivemos 28,6% das respostas, além de 14,7% que têm mestrado”.

 

No relatório de pesquisa também é possível encontrar a estimativa da categoria por cor-raça (brancos/as – 67,8%, pardos/as – 20,6%, pretos/as – 9,3%, amarelos/as – 1,3%), funções (dos profissionais que atuam na mídia, 37,1% atua como repórter e 23,4% como editor/a) e outros estratos sociodemográficos, além de analisar as correlações entre indicadores políticos – como taxa de sindicalização (das 2.017 respostas válidas, 68,6% indicaram não ter nenhuma filiação e 31,4% de respondentes possui filiação sindical) – e vetores como registro profissional (mais de dois terços afirmam possuir o registro profissional – 77,3%).

 

Além dessas características, a pesquisa incluiu a precarização do trabalho, as condições laborativas que afetam a saúde e os efeitos das inovações tecnológicas, observando as principais mudanças apresentadas na última década. “É importante destacar aqui que o próprio contexto de pandemia da Covid-19 intensifica as dificuldades, adicionando à precarização já existente efeitos psicológicos devidos às pressões comuns do trabalho combinadas ao luto e ao excesso de trabalho decorrente de colegas se demitindo ou sendo demitidos, com pouco ou nenhum apoio das empresas”, pontua o coordenador geral.

 

Sobre a pesquisa

A pesquisa é uma construção coletiva liderada pelo Laboratório de Sociologia do Trabalho (Lastro/UFSC) e articulada nacionalmente pela Rede de Estudos sobre Trabalho e Profissão (RETIJ), da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). Como resultado desse trabalho colaborativo, 7.029 jornalistas responderam ao questionário entre 16 de agosto e 1º de outubro de 2021.

 

O estudo envolveu 17 pesquisadores voluntários de todas as regiões brasileiras e recebeu o apoio das principais organizações nacionais da categoria: ABI, ABEJ, ABRAJI, APJor, FENAJ – e Sindicatos filiados, e SBPJor, assegurando a inédita visibilidade à pesquisa e viabilizando seu alcance nacional.

 

Fonte: Fenaj