O Núcleo de Jornalistas Afro-brasileiros do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SindJoRS) defende que o direito à vida e ao bem-viver, a autonomia, a justiça social e o combate intransigente ao racismo estrutural são valores inegociáveis para a população negra. Nossa história tem memória e honra a ancestralidade de quem lutou por liberdade, democracia, equidade de oportunidades e o respeito às diferenças. Negar esses direitos é negar a vida da população negra.

 

As eleições de 2026 revelam um quadro político de intensa participação popular por defesa de direitos de cidadania e justiça social. Novamente, a lisura de informações e o acesso a conteúdos credíveis e verídicos enfrentam obstáculos de fake news, desinformação e manipulação algorítmica por big techs e a ineficácia regulatória para impedir a violação da comunicação como direito humano.

 

Para o Núcleo de Jornalistas Afro-brasileiros, a defesa da vida, da dignidade e da justiça social precisa estar no centro de qualquer projeto de governo. Historicamente, a população negra é afetada de forma desproporcional pela violência e pela letalidade policial. A escolha de um militar para comandar o governo do Rio Grande do Sul desperta preocupação em parte da população negra, diante do temor de que haja um endurecimento das políticas de segurança pública e uma escalada da violência policial, especialmente nas periferias.

 

Nesse cenário, o receio é de que uma política de segurança centrada na repressão, sem o devido compromisso com os direitos humanos, amplie a vulnerabilidade de quem já convive com a desigualdade e a discriminação racial. A preocupação não se restringe à orientação política ou à formação profissional de quem assume o poder, mas às medidas que serão adotadas e aos seus impactos sobre a população negra.

 

O movimento defende que a segurança pública seja construída com responsabilidade, transparência no diálogo e respeito aos direitos fundamentais, sem que o combate à criminalidade se transforme em justificativa para a violência, o racismo e a violação de direitos.

 

Fazer justiça social também é garantir uma educação pública gratuita, inclusiva, laica e de qualidade. A manutenção da Lei das cotas raciais e sociais, que democratizaram e garantiram o acesso de negros e indígenas nas universidades, é uma pauta imprescindível para superação das desigualdades sociais. Cotas não são esmola, atendem a uma dívida histórica do Estado com o povo negro.

 

Neste segundo turno, o jornalismo político é chamado para a qualidade do livre debate democrático sobre propostas políticas das candidaturas majoritárias à Presidência da República e a governos estaduais, projeto de país e gestão estadual, bem como apresentação de medidas de governo para os próximos quatro anos de mandato da força política vencedora. O jornalismo profissional deve primar pela racionalidade, maturidade e alto nível para exposição da disposição política de cada candidatura para melhor compreensão de cada eleitor e eleitora.

 

O mundo do trabalho está diante de questões estratégicas quanto ao uso de inteligência artificial, novas modalidades contratuais com mais precarização da força de trabalho pela “pejotização”, desemprego e crescimento da informalidade, além de endividamento da classe trabalhadora e das famílias. Estas também são situações vivenciadas por jornalistas de todas as gerações. Embora com mais escolarização e obtenção de títulos universitários, a realidade econômica do Brasil não tem absorvido a qualificação da população com trabalho digno, contratos adequados e salários condizentes com as formações, inclusive da juventude beneficiária de programas de ação afirmativa e políticas de acesso ao ensino superior.

 

Na imprensa, jornalistas negras e negros têm sido importantes para abordar estes e outros desafios sobre as condições de vida da população brasileira para aquelas pessoas que desejam governar a nação e os estados. Trata-se, portanto, do trabalho jornalístico e técnico para questionar a capacidade das candidaturas para gerir e responder aos interesses e os direitos da maioria da população. São profissionais que têm qualificado o jornalismo político e evidenciado pluralidade e/ou parcialidade das propostas de governos nacional e estaduais sobre mandatos que incidirão sobremaneira sobre a cidadania brasileira entre 2027 e 2030.

 

O Núcleo de Jornalistas Afro-brasileiros do SindJoRS é composto por jornalistas militantes e ativistas da igualdade racial, mas se trata de um espaço institucional que defende o combate ao racismo estrutural. Neste sentido, o Núcleo reforça a importância de elegermos um projeto político progressista que esteja comprometido com a pauta da população negra.

 

Núcleo de Jornalistas Afro-brasileiros do SindJoRS