Na fotografia, acima, alunos do curso de jornalismo encontram com sindicalista. 

 

O encontro contou com a presença de Mateus Azevedo, representante do SindJoRS, que discutiu a precarização da profissão

 

O curso de Jornalismo do Campus da Universidade Federal de Santa Maria em Frederico Westphalen (UFSM/FW), promoveu uma conversa com o Sindicato de Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SindJoRS) na manhã desta quarta-feira, 22 de abril de 2026. A atividade faz parte da disciplina de Legislação e Ética em Jornalismo, ministrada pela professora Mirian Quadros, docente do Departamento de Ciências da Comunicação, e teve como objetivo aproximar os futuros profissionais da realidade sindical e dos debates sobre a regulamentação da carreira.

 

Azevedo é o Primeiro-secretário executivo do SindJoRS e responsável pelo núcleo de delegacias regionais. Durante a conversa, o sindicalista apresentou a composição do Sindicato, que hoje conta com 14 membros executivos, sendo a maioria dos postos ocupados por mulheres, incluindo a presidente Laura Eliane Lagranha Santos Rocha e a vice-presidente Katia Marko.

 

Precarização do trabalho do jornalista

Na conversa foram abordados temas como, a luta pela retomada da obrigatoriedade do diploma (derrubada pelo STF em 2009) e a oposição à Lei 15.325/2026, chamada de Lei de Multimídia. Sancionada em 6 de janeiro de 2026, a legislação oficializou a profissão de multimídia no Brasil, regulamentando o trabalho de criadores, produtores e editores de conteúdos digitais (vídeos, redes sociais, sites, jogos), que o sindicato considera um fator de precarização do trabalho jornalístico por não garantir piso salarial ou respaldo legal específico.

 

O representante do SindJoRS também reforçou o interesse em aprofundar os laços com o meio acadêmico. Segundo ele, a conversa sobre a atuação do sindicato com os alunos é uma forma de aproximar a entidade dos estudantes e futuros profissionais do interior do estado. Azevedo incentivou a sindicalização de estudantes, informando que o processo pode ser feito on-line e que a participação jovem é essencial para a renovação da luta coletiva da categoria.

 

Azevedo ainda defende que o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros precisa ser atualizado para incluir debates sobre a internet, combate às fake news, à desinformação e à pós-verdade. Segundo aponta, o jornalismo não é apenas produção de conteúdo e exige um compromisso com a correta apuração e o interesse social.

 

Larissa Geralda da Costa, estudante do 5º semestre do Curso de Jornalismo, ressalta a relevância da atuação do SindJoRS desde o início da vida profissional. “É importante entender como funciona e qual o objetivo do Sindicato, porquê muitas vezes não sabemos como agir em relação ao trabalho jornalístico, que é desvalorizado”, comenta.

 

Texto e foto: Cristiane Antunes Rodrigues, estagiária do Curso de Jornalismo da UFSM/FW.  Edição: Cristina Guerini