Na manhã de quarta-feira, 22 de julho de 2026, aconteceu a quinta rodada de negociação da Convenção Coletiva do Trabalho (CCT) 2026/2027 entre o Sindicato de Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SindJoRS) e os representantes do setor patronal, o Sindicato das Empresas de Rádio e TV do RS (SindiRádio RS) e o Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas no Estado do Rio Grande do Sul (SindiJoRe RS). Na abertura dos trabalhos solicitamos a atenção das e dos presentes para ler um texto em homenagem ao jornalista Carlos Bastos, falecido na terça (21). A referência se fez necessária já que o colega, no alto de seus 91 anos, permanecia fazendo parte da entidade sindical, na Comissão Estadual de Ética, porque considerava importante a organização da classe trabalhadora para conquistar e avançar em direitos para todas as pessoas, além de seu legado para a história da comunicação gaúcha.

 

Depois de uma negociação que durou aproximadamente 40 dias, o SindJoRS recebeu a proposta para a categoria de um reajuste de 4,50% para quem recebe o piso de jornalista e de 4,42% para os profissionais que têm vencimentos acima do piso que, atualmente, é de R$ 3.530,61, na capital, e de R$ 3.006,41, no interior do estado. Sendo assim, com esse índice, o piso de jornalista para quem atua na capital passará para R$ 3.689,49. Já o piso dos profissionais do interior ficará em R$ 3.141,70. Inicialmente a proposta patronal era inferior ao INPC, não cobria o período de inflação e tendia ao parcelamento, além de retirada de cláusulas importantes. Mas para além da pauta econômica, o SindJoRS obteve as seguintes conquistas: a possibilidade de vale-combustível no valor do vale-transporte para os profissionais que desejarem; o dia de feriado trabalhado será remunerado em dobro, salvo se houver concessão de folga compensatória integral na mesma semana; e a manutenção da comissão tripartite para dirimir questões relacionadas à violência psicossocial no ambiente laboral. As demais cláusulas da CCT vigente (2025/2026) foram mantidas. Ou seja: continuamos com a manutenção de todos os benefícios conquistados no decorrer dos anos anteriores.

 

“Conseguimos avanços com os sindicatos patronais. Principalmente o fato de podermos apresentar todas as cláusulas que merecem discussão e uma melhor redação para evitar interpretações dúbias. Não ficamos apenas na discussão do índice econômico e mostramos que queremos avançar para os próximos anos em assuntos que precisam e merecem atenção. Percebemos, também, uma mudança de postura onde conquistamos mais respeito. Obviamente esses avanços só serão concretizados se tivermos as e os jornalistas ao nosso lado. Sem a participação da categoria não teremos forças e argumentos suficientes para sustentar as mudanças necessárias mesmo com toda a preparação e argumentos. Em todas as rodadas e assembleias estamos entre os mesmos e com um número pequeno de integrantes. E isso reflete no resultado que obtivemos. É claro que crescemos, pois acabamos com o parcelamento do INPC e o pagamento com o retroativo completo e sem abonos. Mas, dentro de nossas necessidades isso ainda é pouco”, afirmou a presidenta do SindJoRS, Laura Santos Rocha.

 

“Embora as reuniões entre trabalhadores e empresários sejam muitas vezes pautadas por divergências e conflitos, as negociações do dissídio neste ano foram alicerçadas no respeito mútuo e na civilidade. Neste ano, as reuniões não se prolongaram ao longo dos meses, como ocorreu em outros momentos. Chegamos a um bom acordo, embora ele ainda não contemple tudo o que gostaríamos em relação às cláusulas econômicas. Mesmo assim, avançamos em cláusulas importantes para a categoria”, avaliou o 2º vice-presidente do SindJoRS, Pedro Dreher. O 1º secretário executivo e responsável pelo Núcleo de Delegacias Regionais do SindjoRS, Mateus Azevedo, manifesta que as pautas conquistadas foram as possíveis dentro da atual conjuntura. “Sabemos que as conquistas deste período estão aquém do que merece a nossa categoria. Categoria esta que vem sofrendo com baixos salários, demissões e precarização. Mas em um contexto com tantas dificuldades, foi o que conseguimos dar de retornos às e aos jornalistas do Rio Grande do Sul”. Azevedo também conclama a categoria para que mais pautas possam ser conquistadas. “Reconhecemos a participação importante da categoria na pesquisa que realizamos sobre as principais pautas que deveriam ser defendidas pelo sindicato na convenção deste ano. Mas, convocamos os e as jornalistas das redações, dos sindicatos, do setor público, de assessoria de imprensa empresarial, entre outros, a se somarem à luta do SindJoRS. Somente estando organizados, mobilizados e dispostos aos enfrentamentos necessários é que vamos avançar”.

 

“A negociação coletiva é sempre um momento tenso da vida sindical. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, aquilo que foi conseguido em negociações anteriores nunca é algo garantido para sempre, segue mantido a duras penas, a cada nova negociação, com a constante possibilidade de redução pairando no ar. O cenário econômico, como a guerra entre Estados Unidos e Irã, e as taxas impostas pelos norte-americanos a diversos países no mundo, somadas à irresponsabilidade de políticos locais que incentivam ataques à soberania brasileira, geram instabilidade e dificultam ainda mais avanços financeiros. Também sofremos com a ameaças sanitárias e climáticas, após a pandemia, passamos por uma enchente e agora mesmo regiões começam a sofrer com inundações. Frente a tudo isso, o gosto de uma atualização dos salários considerando praticamente apenas a inflação, com um arredondamento para aqueles que ganham apenas o piso, pode ser amargo, e é. Mas é também a garantia de mais um ano sem perda de direitos, com negociações pontuais avançando. Nos engajamos na campanha Nacional da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), buscamos dados da federação, do Dieese, dados públicos e da própria imprensa e empresas jornalísticas”, refletiu Letícia Castro, diretora executiva do SindJoRS e representante Núcleo de Comunicação e Secretaria de Mobilização em Assessoria de Comunicação – Fenaj.

 

Para a diretora executiva e responsável pelo Núcleo de Saúde Mental e Qualidade de Vida, Mônica Cabañas, “as rodadas de negociação com a patronal sempre são um momento em que o sindicato foca exclusivamente na melhoria da qualidade de vida dos jornalistas. E isto significa salários dignos, direitos garantidos e bem-estar. Estas negociações nunca são fáceis ou simples, mas são extremamente importantes”. Já a diretora executiva Carla Seabra complementou: “É claro que nós desejávamos um aumento real consistente para todos e todas, mas acredito que as conquistas de vale-combustível, 100% do INPC (com arredondamento para o piso) e, especialmente, o pagamento de valores retroativos – além de mantermos direitos já adquiridos em negociações anteriores – nos deixa com a sensação de dever cumprido. Ao longo dos anos têm sido difíceis os encontros com os sindicatos patronais, que sustentam perdas em razão das novas plataformas, o que não corresponde às pesquisas regularmente publicadas, uma vez que as empresas acompanham os novos mercados. Valorizar o e a jornalista é valorizar a divulgação de fatos com apuração, com verdade, com ética. Essa luta não cessa, continuaremos até que consigamos repor as perdas salariais dos últimos anos. Este segue sendo o nosso compromisso”.

 

A participação do escritório jurídico Direito Social foi fundamental para dar o suporte legal a nossa pauta de reivindicações. “Sabíamos que enfrentaríamos uma negociação difícil. Além das adversidades tradicionais, temos o crescente impacto das novas formas de prestação de trabalho, das tecnologia que chegam em velocidade crescente e das diferentes formas de consumir a informação. Além disso, havia a Copa e o início do período eleitoral, que envolve o jornalismo de muitas maneiras. Diante disso, buscamos formar com antecedência uma comissão de negociação coesa, fortalecer os laços nacionais, buscar dados e informações para se chegar na mesa em condições de defender os interesses da categoria. O que obtivemos ao final, ainda distante do desejado, parece positivo e promissor. A negociação coletiva é um processo permanente, de prazo indefinido. O resultado desse trabalho, verdade seja dita, é diretamente proporcional ao respaldo real da categoria”, ponderou o assessor jurídico Antônio Carlos Porto Jr. Já a advogada Caroline Anversa complementou que “a negociação coletiva nunca é um evento isolado com um fim em si mesmo, mas um processo permanente de fortalecimento da categoria. Por isso, cada nova negociação é uma etapa de uma jornada contínua, na qual cada conquista serve como alicerce para avanços futuros. A liderança sindical atua como instrumento essencial na mesa de diálogo, mas a força que move a negociação emana da união, da mobilização e do apoio ativo de cada jornalista. O avanço é, e sempre será, uma construção coletiva”.

 

O reajuste, juntamente com o valor retroativo, será pago na folha de agosto. Assim que a patronal encaminhar a minuta do acordo coletivo 2026/2027, o SindJoRS ratificará a negociação. A comissão de negociação do SindJoRS foi composta por Laura Santos Rocha, Pedro Dreher, Letícia Castro, Mateus Azevedo, Mônica Cabañas e Carla Seabra. Também estiveram presentes Caroline Anversa e Antonio Carlos Porto Jr, do Escritório Direito Social.

 

Texto: Mateus Azevedo / Diretoria SindJoRS