Números alarmantes, condições de trabalho em xeque e a urgência de cuidar de quem informa.
Setembro chegou, e com ele o mês de conscientização sobre a saúde mental. Para os jornalistas, essa discussão tem um peso especial — e não é à toa.
📌 O cenário global
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 15% dos adultos em idade laboral conviviam com algum transtorno mental em 2019. Ansiedade e depressão provocam a perda de cerca de 12 bilhões de dias de trabalho por ano, com um custo estimado em quase US$ 1 trilhão para a economia mundial.
📌 O que dizem os números no Rio Grande do Sul
Dados do Ministério da Previdência Social apontam que, em 2025, o estado registrou 46.738 afastamentos do trabalho por transtornos mentais — o maior número dos últimos cinco anos, com crescimento de 19% em relação a 2024. O Rio Grande do Sul ocupa a terceira posição no ranking nacional de benefícios por incapacidade relacionados à saúde mental.
📌 O agravamento com a catástrofe climática
A enchente de 2024 escancarou ainda mais a vulnerabilidade da população. A Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (PEERS), do IBGE, constatou que 67,5% dos domicílios das áreas atingidas tiveram ao menos um morador com a saúde mental abalada. Mais de 6,3 milhões de pessoas foram afetadas, com impacto em 96% dos municípios gaúchos.
📌 E os jornalistas?
Os profissionais da comunicação estiveram na linha de frente da cobertura, muitas vezes enquanto também eram vítimas. A pesquisa da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) em parceria com a Associação de Jornalismo Digital (Ajor) revelou que 97% dos veículos de comunicação da região foram atingidos. Muitos operam com equipes reduzidas e enfrentaram imensa sobrecarga.
Estudos da UFRGS e da UCS também têm se debruçado sobre os impactos profissionais, emocionais e estruturais dessa cobertura.
📌 O que o SindJoRS tem feito
A saúde mental entrou na pauta das negociações coletivas. A mais recente Convenção Coletiva dos Jornalistas do Rio Grande do Sul garante:
• Debates sobre burnout, ansiedade, depressão, estresse e assédio moral nas programações da SIPAT;
• Criação de uma comissão paritária para discutir saúde, segurança e qualidade de vida no exercício da profissão.
📌 Avanços legais
A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passou a incluir explicitamente os riscos psicossociais no gerenciamento dos riscos ocupacionais. E a Câmara dos Deputados aprovou a adesão brasileira à Convenção 190 da OIT, que reconhece que violência e assédio no trabalho assumem formas psicológicas, emocionais, econômicas e simbólicas — com impactos diretos sobre a saúde mental dos trabalhadores.
📌 O que fica
Saúde mental não é apenas uma questão privada. É também resultado das relações que construímos, dos ambientes em que vivemos e das condições em que trabalhamos.
Para os jornalistas, cuidar dessa dimensão significa proteger não apenas os profissionais, mas também a qualidade da informação, a ética da profissão e a própria democracia.
💛 Setembro Amarelo é mês de conscientização, mas também de ação. Cuidar de quem informa é cuidar de todos nós.
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Texto: Mônica Cabañas / Diretoria SindJoRS