Por Laura Santos Rocha, presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SindJoRS)

 

Há 84 anos, o Sindicato de Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SindJoRS) acompanha a história da imprensa brasileira e a história da própria democracia neste país. Essa longevidade não é apenas um dado administrativo ou uma curiosidade institucional: ela significa que esta entidade já atravessou períodos em que a informação foi tratada como ameaça, em que apurar a verdade impunha riscos concretos a quem exercia o ofício, e em que a sociedade pagou um preço alto pela ausência de uma imprensa livre. É desse lugar de memória, e não de qualquer conjuntura particular, que esta entidade se pronuncia neste momento.

 

As eleições são a expressão mais visível da democracia, mas não a única. A qualidade da vida democrática depende também da força das instituições, da proteção das liberdades fundamentais e do acesso da população a informações confiáveis. Sem informação de qualidade, o exercício da cidadania torna-se limitado.

 

Vivemos -uma época em que a tecnologia ampliou o acesso ao conhecimento e multiplicou os espaços de expressão. Ao mesmo tempo, a velocidade da circulação de conteúdos favoreceu a disseminação da desinformação em escala sem precedentes. Quando fatos verificados disputam espaço com conteúdos falsos ou manipulados, toda a sociedade é afetada.

 

Nesse cenário, o papel do jornalismo permanece essencial. Independentemente das transformações tecnológicas e das mudanças nos meios de comunicação, continua sendo indispensável o trabalho de apurar, verificar, contextualizar e apresentar informações de forma ética e responsável. Trata-se de uma função de interesse público que ultrapassa os limites da própria categoria profissional.

 

A história mostra que a liberdade de imprensa sempre esteve entre os primeiros alvos de regimes autoritários. Uma sociedade bem informada tem melhores condições de fiscalizar governos, exigir transparência e participar conscientemente dos debates que definem seu futuro. Por isso, a liberdade de expressão e o direito à informação ocupam posição central em qualquer democracia.

 

No Brasil, esses princípios foram reafirmados pela Constituição de 1988 após um período de restrições a direitos fundamentais. Quase quatro décadas depois, continuam exigindo vigilância permanente diante de novos desafios, entre eles a desinformação, a degradação do debate público e os ataques dirigidos a jornalistas, especialmente nos ambientes digitais.

 

Defender condições dignas de trabalho, valorização profissional e ambientes seguros para o exercício do jornalismo significa também defender o direito da sociedade de receber informações produzidas com responsabilidade, rigor e compromisso ético. Não existe imprensa livre onde jornalistas não podem trabalhar com liberdade, segurança e dignidade.

 

A democracia não se limita aos períodos eleitorais. Ela é construída diariamente por cidadãos capazes de participar do debate público, conviver com a diversidade de opiniões e tomar decisões informadas. Para isso, depende de um ambiente em que os fatos tenham valor e em que a verdade não seja colocada em condição de equivalência com a mentira.

 

Nenhum projeto democrático consistente pode prescindir de uma imprensa livre, plural, ética e profissionalmente valorizada. O Jornalismo continua sendo uma das principais pontes entre os acontecimentos e a compreensão que a sociedade constrói sobre eles, entre os fatos e a cidadania, entre a informação e a participação democrática, e é essa ponte que esta entidade se compromete a defender enquanto houver jornalistas dispostos a atravessá-la.

 

Por essa razão, o SindJoRS reafirma, neste momento, o compromisso que orienta sua atuação há 84 anos: seguir defendendo a liberdade de imprensa, o direito à informação e a dignidade do exercício profissional, acompanhando as transformações do nosso tempo sem abrir mão dos princípios que nos constituem. Defender o Jornalismo significa defender muito mais do que uma profissão: significa preservar uma das condições fundamentais para que os cidadãos possam exercer seus direitos em plenitude e participar conscientemente da construção do futuro coletivo, e é essa responsabilidade que assumimos, com a serenidade de quem conhece a história e com a firmeza de quem não pretende repeti-la.