Sindicato de Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SindJoRS) e a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) identificaram empresas que vendem publicações em portais “clones” de gigantes do jornalismo
A promessa de aparecer em grandes veículos de comunicação é um dos principais atrativos vendidos por empresas que oferecem serviços de divulgação na imprensa. Mas, uma investigação realizada pelo SindJoRS, em parceria com a Fenaj, alerta para uma prática que pode confundir clientes: a comercialização de publicações garantidas em sites que utilizam nomes, identidade visual ou referências semelhantes às de veículos tradicionais.
Em janeiro de 2026, a revista Forbes chegou a divulgar uma nota denunciando a prática após profissionais e empresas relatarem terem comprado espaço em um site chamado “Forbes Latina” (LEIA AQUI). Publicidade, publieditoriais e distribuição comercial de releases são modelos legítimos quando apresentados de forma transparente. A preocupação está na possibilidade de o cliente acreditar que está contratando assessoria de imprensa e cobertura editorial, quando, na realidade, está pagando por uma publicação previamente garantida.
“Temos visto relatos de pessoas procuradas por impostores que se dizem representantes da Forbes e oferecem suposto espaço em nossas publicações Salientamos, em primeiro lugar, que a Forbes Brasil não comercializa capas, não vende matérias editoriais e tampouco negocia inclusão de nomes em qualquer uma de suas listas. Nossos critérios para publicação de informações são puramente jornalísticos”, escreveu a revista, na época. A diretora comercial do Grupo Forbes Brasil, Carol Seyssel Wehba, escreveu sobre o assunto no seu Instagram, segundo ela: “Forbes Latina não é oficial! As Forbes oficiais estão elencadas no site”.
Mesmo após a denúncia da Forbes, foi identificado que a prática segue acontecendo: agora com a revista Isto É. Durante a apuração, foram encontrados casos de portais que utilizam nomes semelhantes aos de veículos de comunicação conhecidos. Em um deles, um domínio associado a um site que utiliza a identidade de uma tradicional marca jornalística chegou a ser objeto de uma disputa perante a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI). A decisão do caso determinou a transferência do domínio e apontou registro e uso de má-fé no contexto da política internacional de nomes de domínio.
Um problema para toda a profissão
A preocupação não se restringe aos clientes que eventualmente contratam esses serviços. Para profissionais que atuam tradicionalmente com assessoria de imprensa, a proliferação de modelos pouco transparentes também pode afetar a credibilidade da própria atividade.
Na assessoria convencional, o trabalho envolve identificar assuntos relevantes, construir pautas, produzir materiais, encontrar fontes, fazer relacionamento com jornalistas e apresentar histórias aos veículos. Não existe garantia de que um jornalista publicará uma pauta simplesmente porque ela foi enviada por uma assessoria. Quando uma empresa vende “publicação garantida” utilizando a linguagem de assessoria de imprensa, essa distinção pode ficar menos evidente para empresários, médicos, profissionais liberais e outros clientes que não conhecem os bastidores do jornalismo.
O departamento jurídico do SindJoRS orienta que todas as pessoas, que de alguma forma foram enganadas, devem registrar um boletim de ocorrência na polícia, pois esse tipo de situação é crime previsto em lei. Só com essa coragem de denunciar é que as empresas que utilizam da boa fé para lucrar e lesar a sociedade serão descobertas e, assim, esse tipo de situação deixará de existir. O SindJoRS e a Fenaj estão atentos ao problema e pretendem, para breve, marcar um encontro virtual com as jornalistas e os jornalistas que atuam nas assessorias de imprensa gaúchas.
Texto: Lorenzo Seixas / jornalista