O Sindicato de Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SindJoRS) publica, abaixo, texto emocionante publicado nas redes sociais do jornalista Felipe Vieira como forma de homenagem ao colega Claudio Moretto, sindicalizado desde 31 de março de 1980, e que faleceu ontem. Nossa solidariedade à família, aos colegas, amigas e amigos.

 

Perdi hoje um amigo, mestre e conselheiro. Faleceu nesta segunda-feira (12.01), aos 70 anos, o jornalista Claudio Moretto, meu antigo chefe na Rádio Gaúcha. Logo que cheguei na emissora, em 1989, ele me chamou para uma conversa e orientou sobre como deveria fazer o trabalho de repórter: repassar as informações aos editores e oferecer as minhas apurações para os programas. Sempre que errei, e não foram poucas vezes, me chamou e corrigiu de forma serena.

 

Bons tempos aqueles. Saudosas conversas de corredor! Moretto, quando empolgado, tinha um hábito bem particular. Não chegava a ser um cacoete, mas ele costumava inclinar-se para trás e, com o dedo indicador de uma das mãos, apesar de calvo, enrolava os cabelos – o pouco que ainda lhe restava. Ele, Luciano Klockner e Marco Antonio Baggio formavam um trio que lapidou muitos de nós, jovens profissionais atuando como linha de apoio às estrelas da rádio. Alguns ficaram pelo caminho. Outros, como eu, seguem na profissão. Quando deixei a RBS e migrei para a BandRS, Moretto teve a preocupação de me ligar para saber os porquês. Expliquei os motivos e ele me apoiou. Isso repetiu-se nas várias trocas de emissora que fiz. Quando ele deixou a Rádio Gaúcha, em 2015, após 35 anos de casa, liguei e conversamos bastante. Ele me acalmou. Mas, nenhuma lembrança é mais forte do que a da emoção, misturada com alegria, quando ficou sabendo da gravidez da Lúcia – o grande amor – e de quando nasceu o Eduardo. Ser pai era um desejo e se transformou na maior alegria da vida dele.

 

Cláudio Moretto do Nascimento era natural de Porto Alegre, nascido em 1955. Era formado em Jornalismo pela Famecos PUCRS, diplomado na turma de 1979. Ao longo de mais de três décadas, na Rádio Gaúcha, trabalhou como editor e foi chefe de reportagem, além de coordenador de produção. Também chegou a trabalhar nas rádios Farroupilha e Difusora (hoje Bandeirantes AM), onde chefiou o Departamento de Jornalismo. Moretto foi colaborador do Jornal de Integração Nacional e da Jornal da Manhã.

 

Sua primeira experiência profissional não aconteceu numa emissora de rádio, e sim no antigo banco Sulbrasileiro. Em radiodifusão, estreou profissionalmente em 1976, na Farroupilha. Em seguida, migrou para a Difusora (hoje Bandeirantes AM). Era redator e depois passou a editor-chefe do Departamento de Jornalismo. Na rádio Gaúcha, ingressou em 9 de outubro de 1980. Foi chefe de reportagem, coordenador de produção e coordenador de Jornalismo. Por um período, no final da década de 1990, também foi professor substituto da Famecos, ministrando as cadeiras de radiojornalismo.

 

Moretto é mais um dos grandes que deixa saudade naqueles que o conheceram como pessoa e profissional. Vá em paz, amigo!”

 

Texto: jornalista Felipe Vieira