Conhecer os diferentes lados de um fato é uma das tarefas essenciais do jornalismo. Antes de publicar uma notícia, o profissional responsável ouve fontes, confere documentos, compara versões e distingue informação de opinião. Buscar isenção não significa ignorar a realidade, mas agir com equilíbrio, compromisso com a verdade e respeito ao público.
Esse cuidado também deve orientar o eleitor. Assim como o jornalista não pode se contentar com uma única versão, o cidadão precisa conhecer as propostas, os históricos dos candidatos e os grupos que os apoiam. Não basta compartilhar mensagens nas redes sociais ou acreditar em promessas repetidas. É preciso verificar fontes, identificar interesses e confirmar informações.
O eleitor também deve estar disposto a ouvir, acompanhar debates, consultar diferentes fontes e considerar opiniões divergentes. Permanecer em uma única bolha limita a capacidade de analisar criticamente as escolhas.
No jornalismo, um erro pode custar a credibilidade. Publicar sem apuração, ignorar versões ou deixar de verificar fontes compromete a confiança do público. Nas eleições, as consequências podem ser ainda maiores, pois uma escolha equivocada afeta a vida do eleitor, de sua família e de toda a sociedade.
Em ambos os casos, a falta de cuidado tem um preço. O jornalista que não apura compromete a informação; o eleitor que não pesquisa pode passar anos convivendo com as consequências de uma decisão tomada por impulso, desinformação ou influência de terceiros.
O arrependimento é possível, mas o tempo não volta. Por isso, informar-se antes de publicar e de votar é um exercício de responsabilidade. Jornalistas e eleitores têm papéis diferentes, mas compartilham o dever de buscar a verdade, questionar versões e avaliar informações com senso crítico.
É fundamental lembrar que os representantes dos poderes Executivo e Legislativo são servidores públicos. Devem servir à sociedade, administrar recursos e cumprir suas responsabilidades. Podemos reconhecer suas qualidades e admirar sua capacidade de gestão, mas não há espaço para idolatria. Em uma democracia, representantes devem ser acompanhados, questionados e cobrados, nunca tratados como donos do poder.
Thamara Costa Pereira
Diretora Executiva SindJoRS e responsável pelo Núcleo de Estudantes e Universidades