Evento em Genebra reúne lideranças internacionais, governo brasileiro e jornalista para discutir desigualdade de gênero, violência digital e desafios à liberdade de expressão

 

Durante a 62ª sessão do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, o evento paralelo “The Role of Freedom of Expression in the Empowerment of Women” reuniu especialistas e representantes institucionais para debater os desafios enfrentados pelas mulheres no exercício da liberdade de expressão, especialmente no contexto digital.

 

O painel foi marcado pelo diálogo entre diferentes perspectivas — da comunicação, institucional e internacional — evidenciando que a liberdade de expressão é condição essencial para a participação das mulheres na vida pública.

 

A jornalista Mônica Cabañas, credenciada junto às Nações Unidas em Genebra e diretora executiva do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SindJoRS), participou do debate trazendo a perspectiva da comunicação e da representação sindical. Em sua intervenção, destacou: “A liberdade de expressão não é um princípio abstrato — é uma condição vivida.”

 

Ao tratar dos desafios enfrentados pelas mulheres no espaço público, afirmou: “Quanto mais as mulheres falam, mais elas são expostas. No jornalismo, tenho observado que as mulheres — especialmente jornalistas e defensoras de direitos humanos — são desproporcionalmente alvo de ataques. Isso não é individual — é estrutural. Trata-se de uma forma de empurrar as mulheres para fora do espaço público.”

 

Representando o Brasil, a secretária nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Tassiana Cunha Carvalho, destacou o papel central da liberdade de expressão para a democracia: “Não se trata apenas do direito de falar. Trata-se do direito de participar da vida pública, influenciar decisões, denunciar violações e ocupar espaços de poder em igualdade de condições.”

 

Em sua fala, a secretária também chamou a atenção para os desafios do ambiente digital, onde novas tecnologias e dinâmicas de comunicação vêm sendo utilizadas para perpetuar desigualdades e violências contra mulheres.

 

A Relatora Especial da ONU para a liberdade de expressão, Irene Khan, ressaltou que, apesar dos avanços, a igualdade de gênero nesse campo ainda está distante, sendo impactada por fenômenos como censura, desinformação e assédio, que limitam a participação feminina no debate público.

 

Já Ivana Krstić, vice-presidente do Grupo de Trabalho da ONU sobre discriminação contra mulheres e meninas, enfatizou que a desigualdade de gênero permanece estrutural e global, alertando para o avanço de discursos misóginos e para o impacto das novas tecnologias na reprodução dessas discriminações.

 

O encontro evidenciou que a liberdade de expressão e a igualdade de gênero são agendas interdependentes e reforçou a necessidade de ações coordenadas entre Estados, instituições e sociedade civil para garantir que mulheres possam exercer plenamente suas vozes, livres de violência, discriminação e intimidação.

 

Texto: Mônica Cabañas Guimarães / Diretoria SindJoRS