A campanha nos lembra que sofrimento emocional não é sinal de fraqueza e que ninguém deveria enfrentar sozinho os momentos mais difíceis da vida.
O mês de setembro tornou-se mundialmente associado à valorização da vida e à prevenção do suicídio. A campanha Setembro Amarelo surgiu na década de 1990, nos Estados Unidos, após a história de um jovem chamado Mike Emme, que costumava restaurar um automóvel Mustang amarelo. Após sua morte, amigos e familiares passaram a distribuir fitas amarelas acompanhadas da mensagem de que as pessoas deveriam procurar ajuda quando estivessem sofrendo. Desde então, o amarelo transformou-se em símbolo internacional da prevenção ao suicídio.
Ao longo dos anos, a campanha ampliou seu significado. Hoje, fala-se não apenas sobre prevenção do suicídio, mas também sobre saúde mental, acolhimento, escuta, pertencimento e acesso ao cuidado. E essa discussão nunca foi tão necessária. Vivemos em uma sociedade que valoriza a produtividade, a velocidade e a disponibilidade permanente. Aprendemos a responder mensagens a qualquer hora, cumprir metas cada vez maiores e seguir em frente mesmo quando os sinais de exaustão já se tornaram evidentes.
Mas o corpo e a mente falam e quando não escutamos esses sinais, eles acabam encontrando outras formas de serem ouvidos. Muitas vezes o sofrimento começa de forma silenciosa. O cansaço constante, a perda de interesse por atividades que antes traziam prazer, as dificuldades para dormir, a irritação, a ansiedade, a sensação de vazio, a culpa excessiva ou o sentimento de não pertencer podem ser sinais de que algo não está bem.
Burnout, depressão, ansiedade e síndrome do pânico não escolhem idade, profissão, renda ou escolaridade. Podem atingir qualquer pessoa. Para jornalistas e profissionais da comunicação, o desafio pode ser ainda maior. A hiperconectividade, a pressão permanente por resultados, as jornadas extensas, a exposição constante a situações de conflito e a dificuldade de desconexão fazem parte da rotina de uma categoria que muitas vezes aprende a cuidar da informação antes de cuidar de si mesma.
Uma das questões mais difíceis para quem está sofrendo é justamente pedir ajuda. Existe a vergonha, a culpa, o receio de ser julgado, o medo de parecer fraco. Quando uma pessoa pedi ajuda demonstra, na verdade, um ato de coragem gigantesco para reconhecer limites e aceitar acolhimento, pois é muito complexo para nos seres humanos admitirmos que precisamos de apoio e podemos enfrentar a dor, que este processo todo trás, acompanhados.
Nem todas as pessoas saberão como ajudar ou talvez algumas delas não queiram apoiar porque muitas vezes a fragilidade humana funciona como um espelho. O sofrimento do outro nos lembra da nossa própria vulnerabilidade, e nem todos conseguem olhar para ela. Mas quase sempre existem familiares, amigos, colegas, profissionais e redes de apoio capazes de caminhar ao lado de quem está enfrentando momentos difíceis. E existe algo importante para lembrar: sofrimento emocional tem tratamento e existe acolhimento, cuidado, reconstrução e recomeço para todos nós.
Por isso, neste 10 de setembro, a principal mensagem talvez seja uma das mais simples: se você está sofrendo, converse com alguém. Caso você perceba que alguém próximo não está bem, ofereça escuta sem julgamento. Muitas vezes, uma conversa não resolve tudo, mas pode ser exatamente o começo da mudança. Porque ninguém deveria enfrentar a dor sozinho e oferecer ajuda pode, literalmente, salvar uma vida. No SindJoRS, a preocupação com o tema da saúde mental não começou com a atualização da NR-1 ou com o setembro amarelo. Há cerca de quatro anos a entidade inclui nas discussões da CCT o tema e desde 2020 vem desenvolvendo iniciativas voltadas à saúde mental de jornalistas.
Onde procurar ajuda
CVV – Centro de Valorização da Vida
Atendimento gratuito e sigiloso 24 horas por dia pelo telefone 188, além de chat e e-mail em https://www.cvv.org.br.
SUS – Sistema Único de Saúde
As Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e demais serviços da Rede de Atenção Psicossocial oferecem acolhimento e acompanhamento em saúde mental.
Profissionais de saúde mental
Psicólogos, psiquiatras, terapeutas e equipes multidisciplinares podem auxiliar na avaliação e no tratamento adequado.
Rede de apoio pessoal
Familiares, amigos, colegas e pessoas de confiança muitas vezes são o primeiro passo para romper o silêncio.
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Texto: Mônica Cabañas / Diretoria SindJoRS